Preciso de ti, razão de sempre.
Tenho sede de ti. Tenho uma vontade incontrolável de te ter. É como uma droga, mas mil vezes pior. Prefiro morrer a não te ter, prefiro pensar que te encontrarei no céu, do que estar aqui e saber que não estou completa, nem muito menos feliz. Estou aqui - pelo menos dizem que sim -, mas é como se não estivesse. Esqueci-me do meu nome, já só sei o teu. Esqueci-me de onde venho e onde estou, só sei o que tu és - alguém cuja alma me pertencia. Eras completamente meu, e eu era completamente tua. Ao partir, deixaste-me a morrer. Deixaste-me "aqui e ali" ao mesmo tempo, deixaste-me friamente sozinha. Vejo-te a cada movimente que dê, vejo-te e relembro como foi bom saber que estavas ao meu lado. Como foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, o dia em que te conheci. O dia em que entras-te para sempre, dentro de mim. O dia em que percebi, que nada igualara o sentimento que nutria por ti, que nunca tinha sentido por ninguém, o que até á data, sentia por ti. Era algo inexplicável, quase como impossivel. Não havia razão, nem explicação. Eras como mais do que metade de mim, eras como a minha alma, eras como a razão da minha existência. Até á data, nunca tinha notado isso a ninguém, nunca me tinha entregado a ninguém, como me entreguei, de corpo e alma, a ti. Nunca me tinha despido de preconceitos por ninguém, por alma alguma. E mais do que isso, eu dei-me a ti. E tu partis-te, sem motivo, sem explicação. Simplesmente, morres-te. Morres-te, apenas -como se fosse pouco - mas não foste só tu que morres-te. Mataste-me também, no dia em que deixei de ouvir o teu coração bater. Senti-me esmagada pela pressão das minhas próprias palavras, pelo tempo interminável que ficaria junto a ti. Eu morri - sinto isso, como sentia que eras meu - mas permaneço em Terra. Como é possivel? Estou aqui, mas não estou. Não tenho alma, tu levaste-a contigo. E nem que me dêm uma nova oportunidade de viver, uma nova razão - que nunca se igualaria a ti -, aproveito. Não quero estar aqui, sem ti. Não quero sentir, a cada piscar de olhos que dou, a vontade de te beijar, de dizer como és/foste/serás (sempre) a pessoa mais linda - ao meu ver - de todos os tempos e de todos os que viram. A unica pessoa, que com um olhar, dava-me a cada dia, uma nova razão para continuar a viver, para o meu coração continuar a bater. Parece mentira a maneira que eu te venero. Eu já nem digo amar, é mais do que isso. É algo que me faz abraçar-te e nunca mais - e repito, nunca mais - te largar.
Estou no mesmo sitio, sentada, á não sei quanto tempo. Vejo as estações do ano a mudar, vejo pessoas a sorrir todos os dias, a passear o seu animal de estimação e crianças a brincarem, e o mais doloroso - casais. E não tenho fome, nem sede, apenas de ti. Não quero ser feliz, sabendo que não estás aqui para me ver sorrir, não quero ninguém, só tu. Eu já nem quero a minha alma, fica com ela o tempo que quiseres. Só quero um sorriso teu, só quero viver e saber que estás aqui, sempre que eu fraquejar e me sentir sozinha. Saber que tudo o que fizer, vais-me apoiar e estar aqui se correr mal. Eu só te quero a ti! Tu, tu, tu, tu, tu. Mais nada importa, sem seres tu. E devo estar para aqui a repetir palavras como uma desesperada, e quem as estiver a ler, a se sentir estranhamente grata por existir. Pena, tenho a certeza. Mas não, não quero gente penosa sobre mim, eu só o quero. Não quero palavras cheias de conforto e talvez algum amor, nunca é o suficiente, nunca se igualará ao que eu sinto por ele, e ao que ele sentia por mim. Eu só não me mato, só não ilemino com o que resta de mim, porque não tenho força. Não sinto o corpo, não sinto o frio, nem o calor. Não sinto que estou aqui, mas sei que estou - porque se não estivesse, ele vinha ter comigo, com as suas asas que eu sempre vi, mas que agora o céu lhe deu. E eu juro que ganhava forças, não sei de onde, mas ganhava-as e correria até ele e, se a força assim me permitisse, abraçava-o como antes, e não o largava nunca mais. As palavras são o que ainda me resta e, ao ponto que estou, já nem sei o significado de algumas delas. Disparo-as como uma flexa, só. Não sei se sou rapaz ou rapariga, eu nem sei se sou humana ou uma máquina. Só sei que tive algures aqui dentro uma alma, e que a dei. Não me arrependo de completamente nada, só gostava de ir para onde ele foi, seja o sitio que for. Nem que seja o pior dos infernos, se o tiver a ele, para mim é mais que um paraíso, é um mundo perfeito onde só existimos nós os dois. É o que eu peço, só peço que me tirem daqui. Que façam de mim "gato-sapato" e que me levem para onde ele foi. Eu não faço cá nada, só ocupo mais um bocado de chão, á tempo indeterminado - eu nem sei se vivo na Terra - e, desperdiçado. Eu podia, neste momento, em vez de estar com os olhos - ou o que é o que me faz "ver" - postos no ar, estar com ele. Podia estar a abraçá-lo, podia estar a tê-lo. Podia voltar a sorrir, podia voltar a ter uma alma, que por mais pequena que podesse ser, me fizesse sentir completa. Que me fizesse sentir não só mais alguém a ocupar espaço, como a pessoa - objecto ou o que seja eu - mais feliz, mais grata pela vida, de todo o sempre, de todos os tempos até hoje, ou de todos os tempos que se seguiram.
Será um pedido assim tão grande, por alguém tão pequeno como eu, transferirem-me para onde ele está? Ou algo que ele tocou, sei lá, eu só o quero sentir.
Preciso de ti, razão de sempre.
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