
É provável que nunca venhas a ler isto. É provável que nem desconfies que é para ti que escrevo. É provável que nem desconfies daquilo que sinto. É provável que não saibas as saudades que tenho tuas. É provável que aches-me longe, quando na verdade estou tão perto. É provável que nem te lembres de metade das músicas que composes-te para mim. Mas, juro por tudo o que passámos, que nunca te esqueci. Nunca deixei de sonhar contigo nem com as intermináveis tardes nos tanques, nunca quis manter-te perto e nunca quis manter-te longe de mais. Queria apenas voltar a estar contigo, sem ninguém saber, longe de toda a gente, de boatos ou conversas alheias, queria apenas sentir-te. Nunca me hei-de esquecer dos teus beijos, do teu toque, da tua maneira querida de ser comigo. Calculo que tenhas gostado de mim, porque na altura parecia. Mas agora, olhando para o teu histórico de raparigas e vendo as vossas conversas, não encontro diferenças. Trataste-me como outra qualquer, como se fosse igual as outras todas a quem dás a tua conversa de treta. Eu fui diferente, nós fomos diferentes. Eu gostava de ti, sentia falta das nossas conversas e ainda sinto. Tento falar contigo, tento inventar tudo por tudo só para ver "C..." no ecrã do telemóvel ou "R..." na barra do Msn, mas nunca aparece. O teu nome, só o vejo em sonhos, a tua voz oiça-o na minha mente e a ti, vejo-te nunca. Quando te vejo, sinto vontade de te abraçar e de compensar todo o tempo perdido. Tempo esse, que foi perdido e já não volta por motivos obvios... Eu tenho alguém e tu também. Sabes o que é fingir que acho-vos fofinhos? Mas porque é que foste escolher a minha melhor amiga? Sabes o que é estar todos os dias a ouvir "Nem sabes, o CL isse que...", sabes o que doi? Sabes as voltas que se dão na minha barriga cada vez que vejo o teu nome no ecrã do telemovel dela e olho para o meu e não vejo nada? Nada? Tens uma pequena noção do quanto eu gosto de ouvir todas as musicas que composes-te para mim, tens uma noção do quanto queria estar agora, neste momento, ás mensagens contigo? Porque é que nunca respondes-te? Porque é que finges que já não sentes nada quando eu sei que ainda há em ti um sentimento verdadeiro? Porque é que eu sei que ainda me amas como no primeiro dia, ou mesmo naquele dia que fui ao pavilhão D realizar o teste de recuperação a E.V e tu estavas sentado na C1 a olhar para a sala onde eu estava a fazer o teste e eu a contar os segundos para estar contigo e beijar-te? Lembro-me que quando saí da aula, lá estavas tu, a apanhar uma seca dos diabos e quando cheguei, deste-me a tua fotografia de quando eras bebé. Sabes que ainda a guardo? Sabes que me lembro de todas as conversas que tinhamos, das mensagens, das discussoes, dos ciumes, das piadas, do amor. Do amor que sentiamos um pelo outro, que nunca foi pouco. Lembro-me das mensagens mais queridas, até ás mais parvas. Lembro-me das mensagens que dizias amar-me para sempre, que dizias que nunca me ias abandonar e que eu era a miuda da tua vida. Isso, afinal, é mentira. Mas eu tambem menti. E eu é que estraguei tudo. A minha mae nao deixava, o ... estava sempre a mandar mensagem e os meus sentimentos começaram a dar voltas de 360º á minha mente e o meu coração começou a sentir-se dividido. Por uns tempos, achava que o ... era perfeito e que já te tinha esquecido. Depois, acabava sempre por voltar a ouvir as tuas musicas e a chorar em frente ao pc a pensar no que me faltava. Andámos assim durante tempo a mais. Até que, esqueces-te, ou tentas-te por tudo esquecer os nossos momentos. Eu também e quando me senti livre de ti, avancei com o ..., com quem até hoje estou. Amo-o e nunca vou deixá-lo ficar mal. Mas nao me peçam para esquecer o meu C, o meu miudo. Miudo esse que me fez andar com a cabeça a mil e coração no estomago. Gostava tanto que um dia pudesses ouvir tudo o que tenho para te dizer...