
No meio de tantos sonhos, apareces-te tu. Foste o maior, o que mais se destacou. Para mim, não passavas de um sonho que nunca iria ter o seu acordar.
Enganei-me redondamente quando finalmente percebi o porquê das rajadas de mau-humor, a má disposição subita e "inevitavel", como costumavas justificar.
Nunca soube porque te amava tanto, porque queria que nunca desaparecesses, porque desejava tanto que fizesses parte de mim, mais do que ninguém. E ao pensar nas coisas como realmente são, choro. Choro por saber que acordei, e que "inevitavelmente", acontece. Acontece a quem mais se prende, ás mais inseguras de si, ás que amam e que se prendem, sem crer.
Aconteceu-me a mim, e gostava que tivesse acontecido a ti também, aí, podiamos finalmente ser um. Um só. Não pedia mais que isso.
E eu não quero palavras, para que é que elas servem? Para expressar os sentimentos, no papel? Não podemos viver sempre desse modo, por entre sonhos e linhas de diários que têm sempre um cadeado.
Quem quer um pouco de realidade? Eu não vendo, mas sei quem venda e quem a tem a potes, tipo, sei lá. Tu?
Ainda me sinto fria quando não estás, ainda sinto o teu cheiro, por entre tantos aromas. Ainda sinto a tua presença, ainda sinto a tua leve palma a tocar-me no rosto, sinto como se fosse hoje, sinto como se ainda estivesses aqui, ao meu lado. Sinto o teu sorriso amarelo e esquecido, a fugir. Como um pequeno e grande sonho. E mesmo assim, tenho a consciencia que qualquer dia tenho de parar, e vou tentando uma vez ou outra por dia. Ninguém me obriga, mas eu sei que algures aqui dentro - do que quer que eu seija feita - está alguém que consegue - tudo -.
Quem sou eu, então? Não posso ser quem sou, uma simples sonhadora?
Apenas um humano que vive na Terra, e que fez a sua história com base em sonhos?
Sonhos que foram despertando lentamente, até que o pesadelo deu de caras, e fugiu - mas tenho plena consciencia.
Tenho medo que ele volte, e que seda como a futil rapariga que era - ou "inevitavelmente" sou - e que não tenha ninguém que me diga como sofri. Que me relembre como passei os ultimos tempos, como chorei ao vê-lo de longe, por entre memórias. Só tenho as palavras, as recordações.
Então afinal, sonhar e recordar é "inevitavelmente" bom. Basta sabermos quando acordar, quando a opçao é acertada, e quando ter medo de reagir.
Vou adoptar por essa maneira, pode ser que deixe de ser futil, e passe a ser conhecida como o nome que tenho. E não por um humano sonhador, a princesa da Terra Do Nunca.
Mas, inevitavelmente ainda te amo,
meu pequeno grande sonho.
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