Não sei mais o que escrever, o que dizer, o que sentir. Está tudo encravado no meu coração mas não quer sair, não se quer mostrar. Eu amo-te. Sempre te amei, por todos aqueles momentos, todas aquelas parvoíces, futilidades, por todos os sorrisos e carinhos, abraços e beijinhos no pescoço que me davas, e não eram poucos. Quando disses-te a palavra mágica que me fez chorar bastante, perdi-me. Perdi-me nas recordações do meu olhar, do meu coração, porque sim, eu tenho coração, tu tens, acho que todos têm mas alguns não o querem mostrar, tal e qual como tu. Não achas que foi precipitado, demais, insensivel ? Não achas que podia ser para sempre ? Não achas que era a rapariga da tua vida ? Não achas ? Diz-me, não achas ? Eu acho. Quando te vi, no Beloura Shopping, com aquele camisola grossa da Pepe Jeans e aquele cabelinho á Elvis Prestley que me mata e a beber Sevenup numa terça á tarde, eu soube logo, eras tu. O puto charila com dezasseis anos, que encanto de moço. As minhas amigas disseram logo - estás doida? ele é horrivel - mas não interessa, eu achei-te unico, fantastico, lindo, o meu homem. Serás sempre o meu menino pequeno, com aquele brilho nos olhos... Porque Deus escreve direito por linhas tortas, e aqui aplica-se. Começámos por beijinhos e outras futilidades, depois, passou ás tardes interminaveis a ouvir aquela musica foleira que tu gostavas e que odiava com todas as letrinhas, depois eram noites só nossas com tudo a que tinhamos direito, depois pensámos em namorar, coisa muito rasca para a nossa idade, uma perda de tempo, dizias tu. Mas até gostas-te, porque sabias que se não quisesses arriscar dava-te uma que até andavas de esguia. Mas isso não interessa, o que interessa é que acabou, infelizmente. Nem sei como, nem porquê, nem onde, nem quando, nem sei se foi o certo ou o errado, nem sei se eras mesmo o que eu pensava, mas amo-te e não é pouco.
As minhas amigas que te conheciam bem, avisaram-me :
- Não sejas parva, eu conheco-o, ele não é o que parece!
- Ai Mariana, estás a ser tão burra!
- Ele está-te a usar, vai por mim sua estupida!
- Oh por amor de deus, tu andas com aquilo? Mata-te Mary!
Boas amigas que eu tinha não era? Mas chateei-me a sério com elas, porque naquela altura pensava que queriam me separar do Ruben, o meu granda amor. Disse-lhes que eram as piores amigas, que eu não merecia tal coisa e para esquecerem que eu existia, totalmente e inevitalmente.
Depois apercebi-me que quem estava mal era eu, ou melhor, era ele. Dava para ver que tinhas mudado, deixas-te de mandar mensagens a dizer palavras carinhosas, deixas-te de ir ao msn (agora sei, bloquiaste-me), deixas-te de esperar por mim ao Portão da escola ás quartas, deixaste-me pendurada naquela sexta feira que tinhamos combinado ir ver o Crepusculo, e, por fim, deixas-te de querer ir comigo fazer as nails que tanto amo fazer.
E é por estas e por outras, que vais ficar sozinho. Mas eu cá não me ralo, continuarei á tua espera, no Beloura Shopping a beber sevenup e até vou por o cabelinho á Elvis Prestley todas as terças á tarde, que é para me identificares logo á primeira, fogo de vista, talvez.
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